quarta-feira, 28 de março de 2012

Geração Delivery...o mundo como você conhece.

Proposta de redação


Seja jovem, seja feliz, seja magro, seja bem informado, seja alguém de sucesso!Estas são as palavras de ordem do mundo contemporâneo. Se o mundo está difícil para nós, adultos, o que pensar para os adolescentes?
Vivemos numa época em que as mudanças, decorrentes de novas descobertas e invenções, ocorrem num ritmo vertiginoso.
A questão é: o que os jovens estão fazendo com essas novas informações, em que estão sendo beneficiados e/ou perturbados pelas transformações sociais?
Em clínicas e fora delas há queixas de adolescentes que se sentem perdidos, apáticos ou ansiosos quanto ao seu futuro. Os pais parecem ainda mais perdidos do que eles.

 O que significa, então, adolescer no mundo atual?




A geração dos pais e a geração dos filhos : da obrigação  à permissão.


TEXTO DE APOIO
A geração delivery é o universo do já pronto, do descartável, do já pensado, da rápida entrega e do rápido consumo... E, de preferência, com pouco esforço! Como consequência, ouvimos queixas de pais e de professores que seus filhos/alunos não se esforçam, não querem estudar, não se responsabilizam, não se comprometem É neste novo paradigma, o do botão, que a jovem “geração delivery" está se formando. "Ele estuda dessa forma, distrai-se nesse esquema, vê televisão ligado a vários canais ao mesmo tempo através da TV Cabo, em três línguas diferentes. O computador tem cinco janelas ativas trabalhando simultaneamente, eles estão”on-line" em todos os sentidos. Enquanto acedem aos amigos virtuais, numa orelha têm o telefone, na outra o celular..." Eles estão o tempo todo a estabelecer contatos múltiplos, "rápidos porém superficiais, com o mundo todo, literalmente falando. Tudo ocorre por meio de soluções imediatas, não há tempo para esperar, as decisões e as soluções vêm completamente sem elaboração". O mesmo se passa nos vínculos afetivos onde é a geração do "ficar com", que implica apenas o momento, "tudo rápido, até intenso, mas superficial".

Geração do "gadget" tecnológico e da cultura "trash" (tudo é descartável), são os "fast-kids" a quem não é exigido pensar muito ou imaginar muito pois está tudo prontinho para o "input". Os educadores, ao contrário, estão estressados de tanto trabalhar! Qual a repercussão dessa dinâmica social na qualidade das aprendizagens?Certamente, já devem estar deduzindo...A aprendizagem é entendida como complexa. Dentre os múltiplos fatores que interferem no ato de aprender estão os aspectos ligados ao desejo de aprender e a mobilidade que o aprendiz desenvolveu e que ele coloca a serviço dessa jornada. Muitos de nós já ouvimos alguém afirmar: “Estude para ser alguém na vida!”. Essa é uma das verdades-parciais que temos de ‘ressignificar’. Essa afirmativa era verdadeira quando frequentar a escola bastava como um diferencial na vida da pessoa. O diploma era até pendurado na parede. Hoje os nossos jovens, apesar de terem tirado a média requerida pela escola, constatam que na vida do trabalho a média é outra. Ser alguém na vida quer dizer: saber pensar e fazer alguma coisa de uma forma bastante particular. Apesar da universalidade do conhecimento, o mercado de trabalho pede “conhecedores”que transitem entre as dimensões do geral e do específico; das peculiaridades de uma camada social ou de uma determinada comunidade ao conhecimento cientificamente organizado. Dentre as qualidades que o mercado de trabalho tem exigido dos cidadãos, a mais solicitada é a possibilidade de resolver problemas de forma competente, ética e responsabilidade, é não somente querer fazer, mas fazer, decidir com rapidez e trazer soluções para as diversidades que se apresentam no mundo real e globalizado..


Se por um lado nossas crianças e jovens da geração delivery têm tido uma dinâmica social voltada ao tudo pronto e de rápida entrega, por outro a sociedade exige um cidadão com instrumentos para identificar o conhecimento, interagir com ele e reconstruí-lo.
Dar-se bem na vida, estudar, aprender, escolarizar-se e tirar um diploma, são conceitos que têm sido revistos. Os professores, diante dessa nova realidade, têm tido de repensar o desempenho de seu papel profissional, sua forma de trabalhar e de se relacionar com seus alunos e com o conhecimento. Se as facilidades da tecnologia e as dificuldades do corre-corre do dia-a-dia conspiram contra a construção do sujeito apto a atender as exigências dos novos tempos, que a escola e os educadores de modo geral, estejam atentos a essa realidade e às reais necessidades de seus alunos e familiares.
Não podemos esquecer que educar é ser formador de cidadãos instrumentalizados para viver com responsabilidade os desafios dessa nova era.
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Os adultos dizem que no seu tempo não era assim, que era tudo mais difícil, que seus pais não os compreendiam, que era preciso “pegar cedo no batente”, que logo deixaram a casa dos pais e foram cuidar da própria vida. Então, parece que realmente hoje está tudo mais fácil.

No entanto, o que vemos são jovens com pouca iniciativa, angustiados diante da escolha profissional, deprimidos, estressados, com dificuldade para sair da casa dos pais e definir seu próprio caminho. Evidentemente, isso não pode ser generalizado, mas é espantoso o número de meninos e meninas nesta situação.
Analisemos, então, algumas destas “facilidades” do mundo moderno – sexo, por exemplo. Realmente, falar sobre sexo, hoje, é muito mais fácil do que antigamente. Discute-se sexo na escola, em casa, na televisão. É mais fácil fazer sexo, também. Existe a pílula anticoncepcional e uma maior tolerância dos pais com relação à prática sexual dos filhos.
Por outro lado, o sexo, hoje, está associado ao perigo da Aids. Morte e sexualidade caminham juntas. À insegurança das primeiras experiências sexuais juntou-se o medo da contaminação. Além disso, sabendo dos riscos de uma gravidez precoce, alguns pais, aflitos (e com razão!), se antecipam aos pedidos dos filhos, levando a pobre menina de doze anos ao ginecologista, assim que ela diz que “ficou” com aquele menino. Ou comprando caixas de camisinhas para o moleque que mal saiu das fraldas! Isso apavora qualquer criança, principalmente numa fase da vida em que a privacidade é tão prezada.
Aliás, esta é outra questão: há privacidade no mundo contemporâneo? De tudo se fala abertamente. Pais comentam com os filhos sobre sua vida sexual. Se são separados, contam aos filhos sobre seus namoros, paqueras, com quem “ficaram”. Não parece que as coisas estão um pouco invertidas? Não é (ou era) esse justamente o papel dos pais, escutar as aventuras dos filhos?
Será que ser amigo é ser confidente? Atendo uma garota que me diz que ela e a mãe são muito amigas, que a mãe lhe conta tudo, não tem segredos para com ela. Só que ela não conta tudo à mãe. Primeiro, porque não sobra espaço para ela, pois sente que suas histórias “são um lixo” comparadas com as grandes histórias da mãe. E depois, porque a mãe faz tantas coisas de adolescente, que ela se pergunta quem deve dar conselhos a quem.


Cybelle Weinberg, psicopedagoga, usa este desabafo real para dizer que "ser adolescente, hoje, é muito mais difícil do que o foi em épocas passadas". Por quê? Porque hoje é tudo mais fácil. Aparentemente, talvez.

 "Geração Delivery - Adolescer no mundo atual", coordenado por Cybelle Weinberg. Foi recentemente publicado no Brasil (Sá Editora) e dá conta da preocupação de psicólogos, médicos, psiquiatras, pedagogos e professores com os nossos adolescentes.

domingo, 25 de março de 2012

Redação para você...treinar é o segredo.


Proposta de redação.                                


Terra de Cegos

Há um conto  de  H.G.Wells  , chamado “  A terra  dos cegos “, que narra o esforço  de um homem com visão normal para persuadir uma população cega de que ele possui um sentido do qual ela é destituída; fracassa , e afinal a população decide arrancar-lhe os olhos para curá-lo de sua ilusão.
                                  
                                              
Proposta

Discuta a idéia central do conto de Wells, comparando-a  com o ditado popular
                   
“Em terra de cego quem  tem um olho é rei”. 



Em  sua  opinião  essas  idéias são antagônicas ou você vê um modo de conciliá-las?

Utilize norma  culta e dê título ao seu texto.

terça-feira, 20 de março de 2012

A leitura como aventura e paixão.



Ler não é, pelo menos não deveria ser, obrigatório.Deve ser prazer  e  desenvolvimento de senso crítico.Ninguém precisa gostar de um clássico, mas conhecê-lo amplia nosso horizonte e permite-nos selecionar o que queremos enquanto pessoas. Isso independe da profissão.
Leia e aprimore-se como ser humano.
Gizelda


Moacyr Scliar,8 de novembro de 2010 às 9,36 hs.

O professor nunca deve proibir um livro. Mesmo que a obra seja ruim ou inadequada, a missão do educador é fazer o aluno entender os motivos disso.


O romance de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, publicado em 1953, fala-nos de  um futuro em que opiniões pessoais e o pensamento crítico são considerados coisas perigosas e no qual  todos os livros são proibidos e queimados: o número 451 do título refere-se à temperatura (em graus Fahrenheit) na qual o papel pega fogo. Trata-se, obviamente de ficção, mas houve momentos em que essa ficção expressou a realidade. A censura acompanhou como um sombrio espectro boa parte da história da humanidade. O próprio termo “censor”, que é latino, data do século quinto antes de Cristo, quando o Império Romano delegou a funcionários a tarefa de moldar o caráter das pessoas. Mas não só em Roma acontecia isso; na Grécia clássica, em 399 a.C., o filósofo Sócrates foi condenado à morte por difundir entre jovens ideias consideradas perigosas. Desde então, não foram poucos os regimes totalitários que prenderam ou mataram aqueles que ousavam contestá-los.

A partir da invenção da imprensa, por Johannes Gutenberg, no século XV, o livro impresso passou a ser um alvo preferencial nesse processo. Já em 1559, a Igreja estabelecia o Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros que os fiéis não podiam ler, e que teve mais de 20 edições, antes de ser definitivamente suprimida em 1966. As autoridades civis exerciam poder semelhante; em 1563, o rei Carlos IX, da França, baixou decreto estabelecendo que nenhuma obra podia ser impressa sem permissão do rei. Nos séculos que se seguiram, e sob várias formas e pretextos, livros foram proibidos e até queimados, como aconteceu na Alemanha nazista. Os motivos, ou pretextos, eram de várias ordens: morais, políticos, militares. Nos Estados Unidos, em vários lugares e por várias instituições, foram censurados livros como Chapeuzinho Vermelho (numa das versões a menina oferece vinho para a sua avó), Alice no País das Maravilhas (os animais falam com linguagem humana), a coleção Harry Potter (supostamente promove bruxaria). Numa época, direções de escolas no Rio Grande do Sul proibiram os livros de Érico Veríssimo , porque achavam ser imorais.

No Brasil, tivemos um período de censura severa, quando do regime autoritário (1964-1985). As razões apresentadas não raro beiravam o ridículo; numa exposição de “material subversivo” apreendido em Porto Alegre, havia um livro com a seguinte legenda: “Obra esquerdista em chinês”. Era uma Bíblia em hebraico. Mais recentemente, e nas escolas, surgiram problemas com livros que narravam cenas de sexo e de violência, às vezes selecionados por técnicos da área educacional. Por outro lado, sabemos que a disseminação da pornografia e da violência é cada vez mais frequente. E isso sem falar na questão do politicamente correto, que procura evitar palavras ou expressões potencialmente ofensivas a grupos étnicos ou religiosos, ou a opções sexuais.  Pergunta: o que devem fazer os pais e educadores diante dessa situação?

Creio que uma expressão consagrada pela saúde pública aqui se aplica perfeitamente: é melhor prevenir do que remediar. E isso por uma simples razão: é tão grande o volume de informações atualmente disseminadas, não só por livros, mas também pela internet, por vídeos, pela própria tevê, que é impossível evitar o acesso de crianças e jovens a esse material. O melhor é prepará-los para que possam identificar os potenciais riscos que estão ocorrendo. Mas há um aspecto adicional. Esses riscos não são como os do fumo ou das drogas, substâcias sempre nocivas, e que, em qualquer dose, envenenam o organismo. O material veiculado pelos meios de comunicação pode se transformar numa fonte de aprendizado. É como vacinar uma pessoa: ela é inoculada com germes inativos e seu organismo preparará anticorpos que vão defender essa pessoa de doenças. Isso exige um estreitamento dos laços entre pais e professores, de um lado, e os jovens de outro. No caso da tevê, por exemplo, é muito bom que o pai ou a mãe sente ao lado da criança e converse com ela sobre o que aparece na tela. Também é muito bom que os pais leiam para os filhos quando esses ainda são pequenos. Isso, além de introduzir a criança ao mundo dos livros, representará um vínculo emocional que persistirá por toda a vida. O menino e a menina associarão o livro à imagem protetora do pai ou da mãe.

Em relação à escola, vale o mesmo raciocínio. Quando um jovem me pergunta que livros deve ler, respondo: “Em primeiro lugar, aqueles que os professores indicam; eles conhecem o assunto, eles têm condições de fazer boas recomendações”. Mas nunca digo que o jovem não deve ler tal ou qual obra, tal ou qual autor. Meu aprendizado como leitor passou por livros que depois considerei tolos ou ruins. Mas isso foi útil para que eu pudesse aprender a formar o meu juízo crítico. Na leitura, a gente avança pelo método de tentativa e erro, de aproximações sucessivas.

Em resumo, proibir ou censurar, não. Recomendar, debater, ensinar, sim. Vivemos num mundo cheio de imperfeições e perigos, e o que podemos fazer com nossos filhos e alunos é ensiná-los a navegar por esse mar turbulento, em navios cujas velas são as páginas da grande literatura. Ler é aventura, ler é paixão.

In Carta Capital.

sábado, 10 de março de 2012

Não tem jeito:o novo acordo ortográfico vai ser prá valer.


A ortografia da língua portuguesa é determinada por normas legais. No início do século XX Portugal estabeleceu pela primeira vez um modelo ortográfico de referência para as publicações oficiais e para o ensino. No entanto, as normas desse primeiro Formulário Ortográfico não foram adotadas pelo Brasil. Desde então, a ortografia da língua portuguesa foi alvo um longo processo de discussão e negociação, com o objetivo de instituir, através de um único tratado internacional, normas comuns que rejam a ortografia oficial de todos os países de língua portuguesa.

O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, ratificado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995, e promulgado pelo Decreto 6.583/08, de 29 de setembro de 2008. No Brasil, as novas regras entraram em vigor em 1º de janeiro de 2009. 

Como forma de possibilitar a gradual adaptação dos brasileiros às novas regras, entre 1º de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2012 haverá um período de transição, onde a atual e a nova norma ortográfica coexistirão e ambas serão aceitas como corretas nos exames escolares, provas de vestibulares e concursos públicos, bem como nos meios escritos em geral.

As mudanças não ocorrem somente no Brasil. Participam do acordo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, países que têm o português como idioma oficial. Vale lembrar que a língua portuguesa é a sétima mais falada no mundo, ficando atrás apenas dos idiomas chinês, hindi, inglês, espanhol, bengali e árabe, com mais de 230 milhões de falantes no planeta.

É  muito difícil e polêmico aplicar as novas regras, mesmo porque “ desaprender” o que sabemos demanda mais esforços e cuidados. Para os que emergem na educação- crianças em fase de primeira aprendizagem – sem dúvida, a tendência é haja sucesso.

Mas sempre vai ficar um questionamento : e as bibliotecas? E os livros que amealhamos durante a vida? E os dicionários? Não podemos usá-los para filhos e netos, pois aprenderiam errado...O que fazer com eles ? Jogar livros fora?
 Não há respostas para essas perguntas e, talvez, esse seja um motivo pelo qual os portugueses relutem  tanto em aceitar o novo acordo.

Mas, a verdade é que 2012 é ano em que se esgota o prazo para que escolas e vestibulares no país utilizem a velha ortografia. E , se temos que aprender, não adianta reclamar.
Vamos aos pouquinhos conquistar  as novas regras do Novo Acordo...mesmo que doa!


1- As mudanças no alfabeto


Com a implantação das novas regras ortográficas, o nosso alfabeto passou a ter 26 letras, incluindo definitivamente as letras “k”, “w”e “y”. Em geral, as letras são utilizadas em nomes próprios, palavras estrangeiras e unidades de medidas.

Exemplos: playground, Km, Wilson...

2-O trema
Com o novo acordo ortográfico, o uso do trema foi abolido em todas as palavras.
Exemplos:
Lingüiça —-> Linguiça
Delinqüente —-> Delinquente
Tranqüilo —> Tranquilo


Importante: em palavras de língua estrangeira e nomes próprios continuamos a usar o trema.
Exemplo: Müller, Günter, Gisele Bündchen.
                                                                           ( continua...)

Voltandoooooo...


2012 é mais um ano no calendário, mas pode ser "o" ano da sua vida , dependendo das conquistas , dos sonhos realizados, de um trabalho eficiente e satisfatório...
Não importa quem ou o quê você é...todos os que dominam a linguagem sempre predominam sobre os demais. Falar correto é mais que aula de Língua portuguesa , é dica para viver melhor e se dar bem em qualquer situação. 

Seja bem-vindo!

Um ano excepcional para você que foi capaz de perceber que nós fazemos o nosso sucesso e ninguém mais.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Redação Unifesp - Intolerância em xeque.




Unifesp / 2011-  vamos treinar?

Dica : Não se esqueça de que uma boa introdução /tese já significa 50% de chance de um texto interessante.O corretor sentir-se -á motivado a lê-lo e você terá mais facilidade para defender sua opinião.


Instrução: Leia os três textos seguintes.
texto 1
Num restaurante de classe média, pessoas torcem o nariz e pagam a conta antecipadamente, sem concluir a refeição, porque na mesa ao lado senta-se um casal negro, com uma filha e um filho adolescentes. Ninguém comenta ou reclama de que se trata de uma demonstração criminosa de racismo, não comprovável mas evidente. A adolescente discriminada põe-se a chorar e pede aos pais para irem embora também. A família comemorava ali o 14º aniversário dela.
Uma mulher decide sair de um casamento infeliz e pede a separação. O marido, que certamente também não está feliz, recusa qualquer combinação amigável e quer uma separação litigiosa. As duas filhas moças tomam o partido do pai, como se de repente a mãe que delas cuidara por mais de vinte anos tivesse se transformado em alguém desprezível, irreconhecível e inaceitável. Nenhuma das duas lhe pergunta os seus motivos; ninguém deseja saber de suas dores; nenhuma das duas jovens mulheres lhe dá a menor
chance de explicação, o menor apoio. Parece-lhes natural que, diante de um passo tão grave da parte de quem as criara, educara, vestira, acarinhara e acompanhara devotadamente por toda a vida, fosse negado qualquer apoio, carinho e respeito.
Os casos se multiplicam, são muito mais cruéis do que estes, existem em meu bairro, em seu bairro. Nossa postura diante do inesperado, do diferente, raramente é de atenção, abertura, escuta. Pouco nos interessam os motivos, o bem, as angústias e buscas, direitos e razão de quem infringe as regras da nossa acomodação, frivolidade ou egoísmo. Queremos todos os privilégios para nós, a liberdade, a esperança. Para os outros, mesmo se antes eram muito próximos, queremos a imobilidade, a distância. Cassamos sem respeitar os seus direitos humanos mais básicos. A intolerância, que talvez não conste no índex das religiões mais castradoras, é com certeza um feio pecado capital. Do qual talvez nenhum de nós escape, se examinarmos bem.
(Lya Luft. Veja, 15.12.2004. Adaptado.)

texto 2
Entrevista com Zilda Márcia Gricoli, historiadora e diretora-executiva do Laboratório de Estudos da Intolerância da Universidade de São Paulo (USP), que investiga e discute o tema em todas suas vertentes.

-Qual a proposta do Laboratório de Estudos da Intolerância?
-Trata-se de um centro multidisciplinar da Universidade de São Paulo (USP) que investiga todos os dilemas da intolerância, seja ela política, religiosa, cultural, sexual. Incluímos também o que chamamos de tolerância ao intolerável: prostituição infantil e massacres de populações indígenas e de rua, por exemplo. Trabalhamos ainda com os direitos dos animais. Refletindo sobre a forma como os homens os tratam, descobrimos como eles agem em relação aos seres humanos. Faremos um grande seminário sobre o assunto, aberto ao público.

-Dê exemplos da intolerância no Brasil.
-Não toleramos o pobre, por exemplo. Pobre é lixo, não queremos ver, queremos jogá-los fora. Pode ser índio, negro, branco. Em São Paulo, há praças que contam com o banco “antimendigo”, com braçadeiras especiais, que não permitem que ninguém durma ali. Gradearam chafarizes para que a população não tome banho. Tudo para “limpar” a cidade dos pobres. Como se eles fossem
responsáveis pela sujeira.

-É possível desenvolver a tolerância?
-Sim. A intolerância é totalmente cultural. A cultura foi criada pelo homem para a sobrevivência da espécie. Ela tem esse objetivo, que é a proteção da vida, e não a destruição. A autonomia cultural não pode ir além da vida humana. Quando a cultura se apropria da negação do outro, é preciso uma intervenção.
(http://planetasustentavel.abril.com.br. Adaptado.)

texto 3
Fascismo, comunismo, nazismo e todos os outros ismos totalitários produziram ao longo dos tempos algumas das mais pavorosas cenas de intolerância perpetradas pelo homem contra alguém que ele julga diferente. “Fogueiras, patíbulos, decapitações, guilhotinas, fuzilamentos, extermínios, campos de concentração, fornos crematórios, suplícios dos garrotes, as valas dos cadáveres, as deportações, os gulags, as residências forçadas, a Inquisição e o índex dos livros proibidos”, descreveu o jurista italiano Italo Mereu, são algumas das mais bárbaras manifestações de ódio adotadas por quem julga “possuir a verdade absoluta e se acha no dever de impô-la a todos, pela força”. A praga da intolerância só atinge esse patamar de perversidade quando um outro valor já não vigora mais há muito tempo: a democracia. É mais ou menos assim que as coisas funcionam. Aniquila-se a democracia em nome de um ideal revolucionário que promete semear a liberdade e o fim da opressão dos mais fracos. Essa é a promessa, mas o que se colhe jamais é a libertação, apenas abuso e intolerância. Numa primeira fase, o abuso é interno e concentrado contra os inimigos políticos do regime. Depois, todos se tornam inimigos em potencial e até a delação de vizinhos vira uma arma de controle social. Na fase seguinte, surgem as guerras contra os inimigos externos.
(Amauri Segalla. Veja, 16.04.2003. Adaptado.)

Com base nas informações e reflexões dos textos apresentados – ou, ainda, agregando a eles outros elementos que você julgar pertinentes –, redija uma dissertação em prosa e em norma padrão sobre o seguinte tema:
A Intolerância em xeque

Dê título ao texto.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Proposta de Redação : A efemeridade da vida.





Alice: Quanto tempo dura o eterno?

Coelho: Às vezes apenas um segundo.

(Alice no País das Maravilhas)


INSTANTES
Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas pessoas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida:
só de momentos – não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.


Atribuído a Jorge Luís Borges

Proposta
O texto “Instantes”, de autoria (incerta) atribuída ao escritor argentino Jorge Luis Borges, trata de uma avaliação a respeito da efemeridade da vida e da premência de se usufruir dos bons momentos em detrimento de sacrifícios desnecessários.

Considerando essa reflexão a respeito dos valores da vida, redija uma dissertação sobre a“efemeridade da vida”, procurando elencar um conjunto de valores julgados realmente importantes e outro conjunto de valores impostos socialmente, de importância duvidosa.
                                                                                              Gizelda