terça-feira, 8 de maio de 2012

Fuvest adora filosofar : redação para você!

Andy Warhol- Marylin Monroe- 1962


Relacione os textos e a imagem e escreva uma dissertação em prosa, discutindo as idéias neles contidas e expondo argumentos que sustentem o ponto de vista que você adotou. 


Em muitas pessoas já é um descaramento dizerem "Eu".                                                             T.W. Adorno


Não há sempre sujeito, ou sujeitos. (...)
Digamos que o sujeito é raro, tão raro quanto as verdades.
A. Badiou


Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das  inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

T.W. Adorno 




Comentário Crítico:


O tema de redação do vestibular da Fuvest de 1995, que selecionou felizardos para estudar na Universidade de São Paulo, provocou escândalo incomum entre os vestibulandos e ganhou amplitude com a intromissão de professores de cursinhos, jornalistas e acadêmicos, incluindo-se aí um ilustre professor de filosofia.

A prova consistia em três afirmações e um desenho, tudo considerado “difícil” pelos palpiteiros. A partir da leitura dos pequenos textos (dois do filósofo alemão Theodor W. Adorno e um do francês Alain Badiou) e da observação de um desenho (do artista norte-americano Andy Warhol) o estudante deveria escrever 30 linhas.

O quadro de Warhol é clássico, aquele da repetição do rosto de Marilyn Monroe. As frases falavam por si. “Em muitas pessoas já é um descaramento dizerem eu”, de Adorno. “Não há sempre o sujeito, ou sujeitos. (…) Digamos que o sujeito é raro, tão raro quanto as verdades”, de Badiou. E a última, comprida: “Todos são livres para dançar e para se divertir, ... também de Adorno.

Foi aquela choradeira. Candidato garantindo nunca ter ouvido falar no “tal” Warhol, professor de cursinho reclamando da “complexidade”, jornalista analisando a “arrogância”. O ponto máximo se deu com a declaração do filósofo José Arthur Giannotti, professor respeitadíssimo. Saiu-se com uma pérola do tamanho do besteirol jornalístico sobre o tema: “Eu precisaria de, no mínimo, três semanas para entregar o texto requerido.”

Bobagem. Gianotti não precisa das três semanas e ninguém precisava conhecer previamente os autores para discorrer sobre as proposições. Bastava lê-las com atenção, olhar o quadro e refletir.

A chiadeira retrata a preguiça que tomou conta do sistema educacional brasileiro, somada ao despreparo dos que deveriam se ocupar do seu próprio desenvolvimento. Quem foi que disse, na prova, que era preciso conhecer a obra de Warhol ou de Badiou para discorrer sobre o tema da identidade? Alguém pediu a biografia dos citados? Absolutamente não. O que se queria, claro, era checar a capacidade de raciocínio e de escrita dos alunos face às afirmações propostas                                                                                                                                                                                                          

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