quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ainda Unicamp... ninguém merece!



 Vestibular Brasil Escola comenta as três propostas Unicamp,o que mostra que , realmente , foi uma prova mal feita. Enfim, no Brasil, os alunos sempre " pagam a conta", não é mesmo?


O texto está em http://vestibular.brasilescola.com/correcoes-provas/comentario-redacao-03-unicamp-2012.htm.


Os grifos são nossos.

A proposta número um solicitou que o candidato participasse de um fórum numa página da internet especializada em orientação vocacional, no qual ele emitisse sua opinião a partir de um comentário postado por um internauta, identificado como Estudante Paulista, tendo como referência o gráfico “Gostaria de ser cientista?”. A interlocução não foi claramente definida. O candidato deveria se colocar na posição de um frequentador do fórum, incluindo um possível concluinte do Ensino Médio que publica sua opinião, dirigindo-se a todos, incluindo-se aí o Estudante Paulista. Sobre o gráfico, é interessante notar que na grande maioria dos locais apresentados (com exceção de Uganda e Lesoto) o número de meninos que desejam ser cientistas é maior que o de meninas. Ao interpretar o resultado da pesquisa o candidato deveria levar em conta que em regiões mais urbanizadas ou desenvolvidas, o número de estudantes que responderam afirmativamente é menor que em áreas menos urbanizadas. Isso pode ser constatado comparando países como Dinamarca (desenvolvido e com poucas respostas afirmativas) e Malavi (pouco desenvolvido e com muitas respostas afirmativas) e as próprias cidades brasileiras (São Caetano do Sul - SP, mais urbanizada; Tangará da Serra - MT, menos). Tal informação pode ser interpretada como importante para o Estudante Paulista que se identificou com os resultados obtidos na cidade de seu estado. Coube ao candidato a decisão de concordar ou não com o posicionamento do Estudante Paulista. Para isso, ele poderia utilizar as informações contidas no gráfico, dirigir-se ao fórum, lembrando-se de mencionar o EP, e/ou contextualizar seu argumento, com a possibilidade de alguém que deseja seguir carreira de cientista. O nível de dificuldade apresentado não era grande, uma vez que o gênero comentário não é estranho para os candidatos. Não obstante, a não-definição clara da interlocução no fórum pode causar um desconforto ao aluno não acostumado a essa plataforma virtual, o fórum.

A segunda proposta exigiu que o vestibulando se imaginasse no seguinte contexto de enunciação: o emissor teria que ser um aluno de uma escola que, apoiado pelos colegas, iria escrever um manifesto para ser lido em uma reunião de pais e professores com a direção da escola. Este documento teria sua origem motivada pelo fato de a direção da escola ter efetuado um monitoramento da utilização das redes sociais pelos estudantes, a partir de um evento que teria desagradado à  direção da instituição educacional.
Não ficou claro, na proposta, se o documento deveria ter sido escrito apenas por um aluno ou por um grupo de estudantes; portanto, a proposta deixou a desejar no que diz respeito a esclarecer, ao vestibulando, se a autoria teria que ser individual ou coletiva. Apenas ficou evidente o direcionamento de tal texto: para pais, professores e diretores da instituição, já que a situação em que o documento seria lido era uma reunião tipicamente escolar. O aluno, portanto, teria que explicitar, em seu texto, os interlocutores e a autoria (individual e/ou coletiva).Dada a situação de interlocução, o candidato deveria escrever um manifesto, gênero textual de tipologia argumentativa e panfletária, na modalidade oral formal (sem gírias e sem informalidades similares). A proposta, mais uma vez, pecou ao não deixar claro ao candidato se ele teria que adequar o gênero “manifesto” – que normalmente é escrito –  ao registro oral, incluindo marcas típicas da situação oral formal, como a saudação; ou se deveria escrever um manifesto e lê-lo, sem essas marcas.
Pela terceira vez, a proposta deixou a desejar ao não explicitar se o posicionamento dos alunos deveria ser, necessariamente, a favor ou contrário ao monitoramento escolar das redes sociais. A escolha mais provável efetuada pelos vestibulandos seria a de discordar do monitoramento. Seguindo este posicionamento, o candidato teria que declarar o motivo que originou o cerseamento virtual. Para cumprir tal tarefa, o candidato poderia encontrar, no texto base, várias ocorrências que poderiam inspirá-lo a criar o motivo que constaria no manifesto. Ainda nesse procedimento oral e/ou escrito, o vestibulando teria que explicitar o seu posicionamento apoiado pelos próprios colegas, bem como elaborar uma estratégia argumentativa que sustentasse tal posicionamento. O autor do texto (individual e/ou coletivo) teria ainda que convocar pais, professores e alunos a agirem de acordo com o que estava(m) defendendo.
O que não poderia deixar de estar presente, nesse segundo texto, era um bom trabalho argumentativo e a elaboração de um contexto de verossimilhança adequado ao que foi pedido pela proposta. Infelizmente, a segunda produção textual teria sido cumprida com muito mais segurança pelo candidato, se houvesse um cuidado e uma clareza maiores na elaboração da proposta.

Para a elaboração da 3ª proposta, o aluno teria que se colocar na posição de um leigo em informática que , ao ler a matéria “Cabeça nas nuvens” (que constava na coletânea), resolve se aprofundar no conceito “computação em nuvem” e que, depois de trocar idéias com usuários de computadores e de ler sobre o assunto, resolve produzir um verbete a ser publicado em uma enciclopédia on-line dirigida a pessoas que, como o emissor, são leigas. Seu texto tinha como objetivo explicar o que é o conceito “computação em nuvem”, já que chegou à conclusão de que este é pouco conhecido.
Sendo o verbete um gênero textual com característica informativa, o candidato deveria explicar, de forma clara, objetiva e o mais completa possível, o que é “computação em nuvem”, fornecendo ilustrações que comprovassem a presença de tal conceito em atividades cotidianas da maioria dos usuários de computador, como a utilização de programas virtuais de email ( como aparece no texto II), e a utilização de arquivos que ficam armazenados virtualmente ( como destacado pelo texto base). Ainda nesse verbete, o vestibulando deveria mostrar uma vantagem (como a utilização de aplicativos disponibilizados gratuitamente em ambientes virtuais), e uma desvantagem (como dependência do usuário com relação à qualidade da conexão, bem como a fragilidade da privacidade das informações).
Com relação à interlocução, a proposta, mais uma vez, deixou o candidato em dúvida ao possibilitar duas leituras: uma seguindo as características do gênero “verbete” e sua natureza enciclopédica, que não possui marca de interlocução; e outra, seguindo indício da proposta, que indica que o verbete fora produzido por e direcionado para leigos em informática. Caso a proposta estivesse se referindo a um verbete típico, o candidato não poderia, na elaboração de seu conceito, marcar a interlocução de forma explícita, deveria marcar a interlocução entre não especialistas no assunto através de uma seleção vocabular que não fosse técnica e explicações conceituais muito simples.
A terceira proposta, assim como as duas primeiras, trouxe problemas no modo de apresentação para o aluno que, provavelmente, teve dificuldades em perceber exata e especificamente o que estava sendo exigido com relação à execução do texto. Seguindo as propostas atuais de produção de texto em contexto escolar, foi exigida do candidato a produção de um texto informativo, inédito nesse novo formato do vestibular da Unicamp.

Lamentável!

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