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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ENEM / A longevidade , um desafio do terceiro milênio.



 O segundo semestre - para quem está em processo de vestibular - é  como rolar de uma ribanceira. Não há como estancar  a velocidade com que o tempo passa. Ele  acelera a cada dia e , de repente, caímos em dezenas de provas  que parecem nunca acabar.Não há paliativo para isso. 
Se tivermos  a certeza de que que a nossa parte foi feita, o mais é tranquilidade. E sorte, porque afinal sempre é bom contar - também - com ela.

Vamos postar aqui uma proposta que poderia ser ENEM  . Uma possibilidade, como tantas outras que já estão transcritas em postagens anteriores.( vasculhe o blog que você as encontra).

 Proposta de redação ENEM 

Texto 1.
A melhoria das condições de vida e os assinaláveis progressos da ciência e da medicina estão na origem do significativo aumento dos índices de longevidade. A esperança de vida atingiu números inimagináveis na geometria das pirâmides populacionais  há uma ou duas décadas.(...)
Este é um desafio para todos, sem exceção, num quadro de respeito integral da pessoa humana na multiplicidade das suas dimensões. A população idosa terá de ser parte da solução do problema no nosso sistema de organização social.
Desde logo importa desmistificar uns quantos preconceitos em relação à população idosa (idosos são um fardo para a sociedade, são frágeis, já não contribuem para nada, são todas iguais, homens e mulheres envelhecem da mesma maneira e outros) e atuar no sentido de  promover a qualidade de vida e o envelhecimento ativo das pessoas.
 “O número de idosos estimado para 2020 em todo o mundo será de 1,2 bilhões. Três quartos deles vivem em países em desenvolvimento – sete dos quais estão entre as dez maiores populações do mundo. O Brasil ocupará o 5o lugar!.”
Fonte: Agência Ecclesia. /l,http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=88933( texto adaptado)
 
Texto 2
Envelhecer já foi um milagre, um sonho e também uma sentença cruel. Nossos poetas românticos, por exemplo, almejavam a vida curta, cravejada de muita tosse, e olhos fundos, aureolados de acentuadas olheiras. E, quando a vida se estendia, sentiam-se traídos pelo Destino, envergonhados diante da posteridade. Consta mesmo que um deles, aos 22 anos, preocupado com a hora final que tardava a soar, declarava-se com 20 anos – a fim de ampliar a chance de ser colhido ainda na juventude. Acabou não desapontando ninguém, nem a si próprio. Foi ceifado aos 23 anos.
Não fosse o fim precoce de seus autores, a maior parte da poesia romântica não teria sido escrita. A maior e a melhor, porque em toda a obra de Álvares de Azevedo poucos poemas se comparam à beleza de Se Eu Morresse Amanhã. O poeta deu o último suspiro aos 20 anos. Assim também se foram para sempre Castro Alves, com 24, Casimiro de Abreu, com 21, e Junqueira Freire, com 22. Já Fagundes Varela, contrariando a tendência da época, partiu aos 33. E Gonçalves Dias, já um ancião: aos 41.
Mas isso são histórias do século XIX, quando viver não estava na moda. Hoje, mais do que viver simplesmente,está na moda a alegria de viver. De viver bem e largamente.(...)

INSTRUÇÕES:
• O texto definitivo deve ser escrito à tinta, em até 30 linhas.
• A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
• A redação que fugir ao tema ou que não atender ao gênero  dissertativo-argumentativo receberá nota zero.

Proposta:                                                                                                                                 Com base na leitura dos textos motivadores  e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema, A longevidade: um desafio para o terceiro milênio, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A educação à deriva ( ainda!)



"O MEC de Fernando Haddad contrata empresas sem licitação para realizar seus exames, inclusive os pré-testes, e consegue aplicar no exame oficial 14 — e não 9, como admitira ontem o ministério — QUESTÕES IDÊNTICAS àquelas aplicadas no pré-teste. Admitindo-se que seja isso mesmo, é evidente que estamos diante de um caso caracterizado de vazamento.
Como é que um órgão do governo gasta R$ 375 milhões para fazer um exame (contra R$ 128 milhões no anterior), SEM LICITAÇÃO, para armar uma presepada dessas? Então se aplicaram questões semelhantes; não se tomou o cuidado nem sequer de mudar a ordem das alternativas, nada… O MINISTÉRIO ESTÁ ADMITINDO, ENTÃO, QUE NÃO FORAM SÓ OS ALUNOS DE FORTALEZA OS EXPOSTOS A QUESTÕES, MAS TODOS AQUELES QUE FIZERAM O PRÉ-TESTE: 100 MIL!!!"
"O pré-teste serve para verificar quais perguntas são consideradas fáceis ou difíceis por um público com perfil semelhante ao que fará o Enem. Segundo o Inep, o aumento nos gastos se deve à ampliação do serviço: desta vez, o instituto pretende aplicá-lo para 100.000 estudantes em 40 municípios, ante cerca de 50.000 alunos de 10 capitais em 2009.” (INEP)
Veja online,28 de outubro de 2011.

HINO NACIONAL

Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!


Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva



Começando por mudar a letra do Hino...
Bem,sei que será uma surpresa esse post, porque não costumo enveredar por questões políticas e sociais, uma vez que não consigo deixar de me indignar e me expor muito. Mas,nos últimos dias, ao abrir os portais de notícias  na internet, pela manhã, tenho sido surpreendida por manchetes de possível cancelamento  da prova do Enem DE NOVO. Sinto uma vergonha avassaladora, sinto-me cúmplice dessa sujeira, como cidadã, como brasileira e , sobretudo, como professora.

Tenho vivido de perto a apreensão de jovens, cujo futuro começaria nessa prova, e que seriam cobaias dela, pois ainda é um experimento.Vá lá , é uma tentativa de mudança!

Mas, são cerca de  milhões de candidatos que realizaram o exame que estarão atônitos, impotentes, frustrados,inseguros, pois  prolongar-se-á neles a  conhecida agonia. Quem merece???? E as Universidades Federais como é que ficam? Não é possível que ninguém se levante em defesa da educação nesse país...

Meu Deus! Não consigo ficar calada sob pena de pactuar com MAIS UMA SUJEIRA! Será que ninguém percebe que Olimpíadas é acessório e Educação é essencial????

Temos que mudar o Hino Nacional, urgente :

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salvem-na! Salvem-na! enquanto é tempo.


Em tempo: É preciso "levantar-se do berço esplêndido" , mesmo porque quem "está deitado eternamente" já morreu!

Atualização ( Portal Terra, 11,17hs)
Alunos do colégio Christus, em Fortaleza, estão indignados com a decisão do Ministério da Educação de cancelar a prova dos 639 candidatos que são estudantes da instituição. "É uma palhaçada isso com a gente, a gente passa o ano todinho estudando e eles vêm punir a gente? É pra punir o colégio, se o colégio fez algo errado devem punir o colégio e não punir os estudantes". Pais de estudantes matriculados na escola também classificam a decisão como injusta. "A minha filha quando soube de algumas questões dividiu com colegas de outros colégios que eu não quero citar o nome. Então eu fico só preocupada com a parte da igualdade, que haja isonomia" critica a advogada Iris Gadelha.

domingo, 23 de outubro de 2011

ENEM 2011- um tema previsível...Redes Sociais.


 Fim da prova.Livres da tensão que o Enem provoca,sobretudo por conta de alguns desvios anteriores imperdoáveis, parece (?) que tudo correu bem, felizmente.

Algumas questões mais elaboradas são necessárias, uma vez que estão em jogo vagas em universidades de prestígio, bem conceituadas.Mas nada que não pudesse ser resolvido. Também esperada era  a ausência de um grande contingente de alunos, que , segundo as primeiras estimativas, gira em torno de 25%.

Quanto à redação, quem vasculhou esse blog à procura de temas, pode encontrá-lo postado em agosto de 2010, " O mundo da superexposição",pois esperávamos que esse fosse a proposta do ano passado.De qualquer maneira, foi um tema fácil para quem consegue organizar um texto dissertativo e tem conhecimento da linguagem.

O óbvio : leitura de mundo e de jornais/revistas/livros são um diferencial poderoso.

Mas, acabou...

...só o ENEM, porque agora começa o vestibular  de verdade.

Vamos à luta!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

ENEM - Redação :DÚVIDAS ?




                               Redação do ENEM 2011

Com o peso de 50% da prova, a redação deve ser feita  com capricho e , para tanto,alguns tópicos devem ser lembrados:

1-Ler a proposta é o primeiro passo. Reflita alguns minutos sobre ela e , a seguir, leia a coletânea, sublinhando dados que possam lhe interessar  para o desenvolvimento do texto.

2-A introdução/tese é responsável por 50% do sucesso de um texto. Uma boa tese torna-se defensável , os argumentos fluem com sequência,agradáveis à leitura.

3-Períodos simples e curtos definem a clareza textual.

4- A letra deve ser legível, não necessariamente bonita.

5- Não é preciso similaridade entre os parágrafos,quanto ao tamanho, mas é preciso reconhecer que um com 4 linhas e outro com 12 podem desequilibrar a apresentação de um trabalho.

6- O título( se solicitado) deve ser centralizado e específico. Curto e impactante para provocar o interesse do  corretor. Pular linha é opcional.

7-  Extensão: cerca de 20/ 30 linhas, que podem ser divididas em um parágrafo de introdução, dois ou três de desenvolvimento e um de conclusão.( O Enem solicita o mínimo de 8 linhas, mas é improvável que um texto dissertativo com esta extensão
atinja a qualidade necessária para uma boa classificação).

8-Fuja de oralidade(gírias, por exemplo), das siglas desconhecidas e das abreviações.

9- Escreva simples e correto. Erudição vocabular torna o texto rebuscado e pedante.
Erros gramaticais  só serão penalizados no contexto.

10-  Coesão: é o uso adequado das preposições, conjunções e expressões de ligação que unem um texto. Falta coesão quando as ideias parecem "soltas", sem se relacionarem.

11-  Coerência: é o conjunto de relações de sentido que unem as partes de um texto. O texto é coerente quando não apresenta partes incompatíveis.

12-Procure não repetir vocabulário, para que o texto não se torne pobre.

13- Fuja do senso comum, mesmo que a proposta seja comum.  Criatividade e  originalidade são preciosos diferenciais.

14- JAMAIS SE POSICIONE CONTRA OS DIREITOS HUMANOS. ÉTICA É FUNDAMENTAL.

15-O Enem não espera que você solucione problemas, mas que saiba discuti-los e encaminhá-los para uma POSSÍVEL saída.

16-Em nenhuma hipótese identifique a folha de redação. Assine-a no local indicado.

Candidatos que têm  abrangência mais ampla de conhecimentos conseguem, com mais facilidade, embasar seus argumentos com exemplos e citações. Leitura de mundo ( o que nos circunda) e leitura de jornais, revistas, formam o arsenal do qual as ideias surgem, complementam-se e  harmonizam -se.
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Entrevista com Vilma Corrêa, integrante da equipe de correção do ENEM 2011:

1-O aluno pode citar idéias dos textos de apoio na redação do Enem?
(...) Ele pode utilizar os textos, mas também precisa ter idéias próprias. Uma coisa é usar as informações a partir de uma redação própria, outra é montar uma colcha de retalhos com os dados e argumentos do material de apoio.

 2-Trechos dos textos de apoio podem ser redigidos com as mesmas palavras?
O aluno pode pegar expressões e frases do texto, desde que as identifique entre aspas e cite seus autores.

3-No ano passado, a então coordenadora geral de correção das redações do Enem, Gisele Gama, afirmou que os estudantes poderiam tirar nota máxima mesmo que o texto trouxesse pequenos erros de português. A regra também vale para a prova deste ano?
Sim. A importância da redação está no conjunto, por isso o aluno pode cometer eventuais deslizes. Errar uma palavra não prejudica o estudante; o que o desqualifica é um texto cheio de erros absurdos, graves.

4-Qual é o peso da redação na nota final do Enem?
A redação corresponde a 50% da nota final do aluno .

Atribuição de nota zero à redação (anulada)

6.7.7 Em todos os casos expressos abaixo, será atribuída nota zero à redação:
          6.7.7.1 que não atender a proposta solicitada ou que possua outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo, o que configurará “Fuga ao tema /não atendimento ao tipo textual”;
          6.7.7.2 sem texto escrito na Folha de Redação, que será considerada “Em Branco”;
          6.7.7.3 Com até 7 (sete) linhas, qualquer que seja o conteúdo, que configurará “Texto insuficiente”;
          6.7.7.3.1 Linhas com cópia dos textos motivadores apresentados no Caderno de Questões serão desconsideradas para efeito de correção e de contagem do mínimo de linhas;
          6.7.7.4 Com impropérios, desenhos e outras .


No mais, capricho e boa sorte! 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

De olho no ENEM : Desarmamento (redação)

ESPECIALISTAS DEFENDEM MAIS RIGOR NO CONTROLE DE PORTE E VENDAS DE ARMAS
 Dois especialistas ouvidos  pelo G1 afirmaram que, para se evitar  tragédias como a ocorrida na escola no bairro Realengo, no Rio, é necessário maior controle do porte e da venda de armas.
“Isso porque, sem arma, as pessoas ficam menos valentes. E a ausência delas evita a ocorrência de ações por impulso e impede ações como a de hoje”, disse o analista criminal Guaracy Mingardi, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ex-subsecretário nacional de Segurança Pública (2008/2009).
Para Alice Ribeiro, mestre em direitos humanos e administração pública e coordenadora da área de controle de armas do Instituto Sou da Paz, é necessário, além de controlar a venda de armas, tirá-las de circulação.
Segundo ela, é preciso desarmar a população, seja por meio de busca e apreensão de armas ilegais, ou por meio da campanha permanente da entrega voluntária de armas.
Os dois especialistas concordam que se Wellington Menezes de Oliveira, o responsável pela morte de 11 crianças em uma escola em Realengo (RJ), não tivesse acesso a uma arma de fogo, teria ferido menos pessoas.
 G1-11/04/2011

2-
Nova campanha de desarmamento promete indenização ágil e anonimato

O Ministério da Justiça lançou a nova Campanha Nacional de Desarmamento nesta sexta-feira, com a promessa de inutilizar as armas no ato da entrega, acelerar a indenização e assegurar anonimato aos voluntários.
A campanha envolve as instâncias federal, estadual e municipal.
“Nesta campanha, as principais novidades são que o cidadão não precisa dar nenhuma informação a seu respeito, e a arma receberá marretadas na sua frente”, diz Shelley de Botton, coordenadora de comunicação do Viva Rio, uma das ONGs engajadas na campanha.
A legislação brasileira determina que apenas o Exército pode destruir armas, por isso o recurso ao “sistema da marretada” nos postos de recolhimento (polícias, delegacias, igrejas e sedes de ONGs), para inutilizá-las e dissipar dúvidas de que possam ser desviadas.
A indenização não será mais depositada na conta dos voluntários, como da última vez. “Elas receberão um voucher do Banco do Brasil e poderão retirar o dinheiro no terminal de saque de qualquer agência no país”, diz Melina Risso, diretora do Instituto Sou da Paz.
O novo procedimento é uma reação a problemas ocorridos na última campanha. A indenização varia de R$ 100 a R$ 300, de acordo com o modelo da arma, e não se estenderá à entrega de munição, como chegou a ser aventado.
Menos armas, menos crime.
6 de maio, 2011 - Júlia Dias Carneiro
Da BBC Brasil no Rio de Janeiro


3-
DESARMAMENTO:
por Peter Hof em 3 de junho de 2011  - Segurança Pública
  
O senhor Paulo Sérgio Pinheiro é pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e um antiarmas convicto. Só esta última condição é mais do que suficiente para colocá-lo nas páginas do jornal O Globo. Assim, no dia 17/4/2011, na página 21 do referido jornal o doutor Pinheiro deu uma entrevista em que, entre outras coisas, afirma e dá título à matéria: “Tem de reduzir na marra o acesso a armas”. Com esta pérola, o doutor Pinheiro dá uma inequívoca demonstração de sua vocação democrática. Para o doutor Pinheiro, as coisas têm de ser “do nosso jeito”, ou seja, “na marra”.

Este é o tipo de pensamento que hoje vigora entre nossas autoridades. Mais adiante o douto senhor afirma que “A ideia de plebiscito é inadequada e intempestiva. Esta não é uma pergunta que se faça a uma população que vive sob (a) ameaça da insegurança pública e convive com o mito de que se armar ajuda na proteção”. Aqui, o entrevistado faz mais uma declaração de fé antidemocrática. Quer dizer então que na opinião do doutor Pinheiro há temas e momentos para se consultar a população?  A critério de quem a população “merece” ser ouvida? Que democracia é esta? Os Estados Unidos enfrentaram uma guerra sangrenta e nunca deixaram de ter eleições. Cinco anos atrás este país, o Brasil, fez um referendo que custou em torno de 500 milhões de reais para perguntar à população se deveria ser proibido ou não o comércio (legal) de armas. A resposta foi um retumbante NÃO.  O que mais é preciso para convencer gente como o senhor Paulo Sérgio Pinheiro de que a população não abre mão do direito de se autodefender? Com o intuito de não deixar dúvidas quanto ao “espírito democrático” que o norteia, o senhor Pinheiro reafirma mais adiante na entrevista: “Isso, para mim é o beabá: tem de diminuir na marra o acesso às armas no Brasil”.

Para encerrar o assunto, lembro ao leitor que uma das primeiras providências de Hitler foi desarmar “na marra” os cidadãos alemães, em especial os judeus. O resto da história todo o mundo conhece...  

4-

O sargento Márcio Alexandre Alves, da PM do Rio de Janeiro, foi o policial que pôs fim à atividade insana de um desequilibrado que invadiu uma escola em Realengo, subúrbio Rio, no dia 07/04/2011. Vejam abaixo a opinião do sargento Alves sobre desarmamento do cidadão de bem, publicada na revista Gentlemen´s Quarterly (GQ), edição de maio de 2011, página 125:

Repórter: O que você pensa sobre a campanha do desarmamento?

Sargento Alves: Essa campanha vai proibir o comércio, mas não a fabricação e a exportação. Essas armas vão continuar voltando para cá – só que ilegalmente - como as drogas. Teremos mais contrabandistas atuando. Penso que o cidadão de bem tem, sim, o direito de ter uma arma de fogo.

Repórter: Mas se o cidadão tem o direito de ter uma arma significa que ele agiria por conta própria?

Sargento Alves: Ele tem o direito a uma arma para defender o seu lar. O que ele fizer além disso terá de responder perante a lei.

Aí está a opinião de um policial que enfrenta quotidianamente as situações de segurança e criminalidade mais complexas e não de um “doutorzinho” que defende o desarmamento do cidadão de bem sentado em salas refrigeradas, pagas com o dinheiro de fundações estrangeiras.

  5-Campanha do desarmamento - 1

Uma pequena matéria no canto da página 17, em O Globo de 23/05/2011, nos informa que na primeira semana da campanha do desarmamento foram recolhidas 240 armas. A partir daí o assunto foi esquecido pelo jornal dos Marinho. Não é preciso ser um dos inúmeros “especialistas” frequentemente ouvidos por esse jornal para perceber que a campanha está destinada a um fragoroso fracasso. O sapientíssimo Ministro da Justiça declarou ter 10 milhões de reais para o recolhimento de armas, e que se precisar vai pedir mais verba.

 6- Campanha do desarmamento – 2

No lançamento da Campanha do Desarmamento em São Paulo, o Ministro da Justiça declarou que: a iniciativa (entrega das armas) será mais atraente para os cidadãos porque, além de garantir o anonimato de quem entregar sua arma, o pagamento pelos itens recebidos será feito mais rapidamente e sem burocracia. Infelizmente o mundo real é muito diferente de como pensam e agem os  funcionários governamentais.                                        
7- Logo, antes de se pensar na criação de campanhas de desarmamento para retirar de circulação armas de fogo e munição, seria interessante a reflexão acerca das consequências dessa medida, sob pena do indivíduo honesto entregar sua arma de fogo para receber de R$ 100,00 a R$ 300,00 e o marginal ou o criminoso habitual continuar na posse de seus armamentos, impunemente, pois o último estará amparado pela Lei que criou a campanha do desarmamento, em razão da atipicidade da conduta - ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA

Adugar Quirino do Nascimento Souza Júnior, Juiz de Direito no Estado de São Paulo.

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PROPOSTA:
Campanha do Desarmamento – Solução ou Impunidade?

Disserte sobre o tema proposto em norma culta. Dê título ao texto.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

ENEM - Rodeios : crueldade sem limites.( redação)



1-
Morte de bezerro em Barretos vai parar no MP

Necrópsia constatou que animal sofreu lesão nas vértebras e, por isso, ficou tetraplégico. Diante da situação, foi sacrificado. Em Rio Preto, sete vacas são mortas durante incêndio em propriedade rural e outros animais estão sofrendo com queimaduras e sem pastagens para alimentação.

A morte de um bezerro na sexta-feira depois de uma prova na 56ª Festa do Peão de Barretos e a de sete vacas queimadas durante um incêndio em Rio Preto gerou repúdio entre entidades de proteção aos animais.
O caso de Barretos foi encaminhado à Polícia Civil e ao Ministério PúblicoSegundo Maria Cristina  dos Santos, presidente da Arpa (Associação Rio-pretense de Proteção aos Animais), a morte do bezerro comprova que a modalidade, conhecida como bulldog, provoca   maus tratos aos animais. 
“As festas de peão são bancadas por empresários poderosos. Por isso, as associações de proteção aos animais nunca  vencerão  essa luta contra a crueldade com animais”, disse ela.  
O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, cuja mobilização conseguiu extinguir a prova do laço no Brasil há quatro anos, vai acionar a Justiça para tentar proibir a prova de  bulldog. Nessa modalidade, o peão tem de derrubar o bezerro com as mãos, sem equipamentos.
No caso de Barretos, o bezerro ficou imóvel após ser derrubado pelo competidor. Como o animal não se levantava, precisou ser carregado para fora da arena. Um exame constatou que o bezerro sofreu  lesão nas vértebras e, por isso, ficou tetraplégico. Diante da situação, o animal foi sacrificado. 
.
Punição
A assessoria de imprensa da Festa  do Peão de Barretos informou que a ANB (Associação Nacional de Bulldog) e o Centro de Estudos do Comportamento Animal  estão analisando se o competidor infringiu as regras da prova. O laudo com a análise do acidente deve ser divulgado em 48 horas. Só depois é que a organização  irá tomar as providências cabíveis.
Luciano Moura
Agência BOM DIA

2-
Os maus-tratos de animais são práticas muito comuns na história da humanidade e perduram até os dias de hoje. Não é raro nos depararmos com situações evidentes de maus-tratos contra animais domésticos ou domesticados. Lojas que abrigam animais em gaiolas minúsculas, sem qualquer condição de higiene, cães presos em correntes curtas o dia todo, proprietários que batem covardemente em seus animais ou os alimentam de forma precária, levando o animal à inanição, cavalos usados na tração de carroças que são açoitados e em visível estado de subnutrição.
Mas há aquelas situações em que sabemos que o animal está sofrendo, só que a caracterização de maus-tratos é subjetiva. Por exemplo, seu vizinho deixa o cão preso o dia todo num quintal pequeno, sem abrigo, sozinho, latindo sem parar. Para a maioria das pessoas, isso pode ser caracterizado como 'maus-tratos', mas pode ser perfeitamente normal para o dono do animal.
De acordo com Marco Ciampi, presidente da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil), o princípio básico nas relações homem-animal deve ser o de: 'caber ao homem prover condições adequadas para a manutenção das necessidades - físicas, psicológicas e comportamentais - do animal. Quando não se é capaz de garantir a segurança do animal, este não deve ser mantido pelo homem'.
Os exemplos de maus-tratos seguem uma lista longa, que inclui: o sacrifício de animais em rituais religiosos, seu uso em rodeios, circos e touradas, práticas folclóricas bárbaras, como a farra do boi, ou até aprisioná-los em zoológicos. E várias associações também sugerem a extinção de uma prática comum em centros de zoonose espalhados pelo Brasil, as famosas carrocinhas. Muitos adotam a injeção letal para matar os animais que não tem para onde ir. Em alguns estados, isso está mudando. Em São Paulo, por exemplo, foi sancionada uma lei em abril de 2008 que proíbe a eutanásia de animais em todos os municípios. Caberá, então, às prefeituras promover ações de castrações e adoção de animais. A lei vale também para animais considerados ferozes como os pit bulls.
A legislação no Brasil protege os animais desde 1934, data do decreto 24.645, de junho daquele ano.Mais recentemente, a lei federal de crimes ambientais nº 9605 de 16/02 de 1998 reforçou o decreto de 1934 e especificou várias violações e penalidades para aqueles que praticam crimes contra os animais.
Segundo o artigo 32 desta lei, maus-tratos de animais são classificados como qualquer ato de abuso e maus-tratos. Ferir ou mutilar animais domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos também é crime de maus-tratos que tem como pena a detenção de três meses a um ano e multa. 

A mesma lei prevê que o abandono do animal é crime. Aquelas pessoas que abandonam ninhadas ou mesmo seus cães idosos, cegos ou doentes, estão ferindo a lei. Idem para a prática de experimentos científicos que incorram no sofrimento do animal. Ao se deparar com situações onde o animal está visivelmente sofrendo, é possível denunciar usando esta legislação.



3-Farra do boi
O estado de Santa Catarina é conhecido por promover um dos piores espetáculos de crueldade contra animais, a Farra do Boi, que ocorre na Semana Santa. Nela, as pessoas se divertem ao colocar o animal para correr pelas ruas, e lhe distribuindo pauladas, esfaqueamentos e outros atos de terror.

A Arca Brasil recebeu denúncias de que a prática não está mais restrita somente àquela época do ano. Pelo contrário, tem acontecido com certa freqüência. Roberto Borges, gerente nacional de organização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) esteve quatro dias em Santa Catarina investigando este tipo de 'diversão'. Ele preparou um relatório sobre o assunto, entregue à coordenação nacional em Brasília (DF), para que medidas urgentes sejam tomadas contra esta prática.
Algumas organizações não-governamentais, como a Arca Brasil, chegam a cogitar a organização de um boicote turístico nacional e internacional à Santa Catarina, para servir como forma de pressão e combate à farra do boi naquele estado.

4 -Rodeios
Muitos defensores dos rodeios argumentam que os animais utilizados não são submetidos a maus-tratos. Por mais cuidados que eles possam receber, eles estão sendo perseguidos e expostos à tortura. 
Veja o que acontece nas principais competições de um rodeio: 

·       Laçada de bezerro: animal de apenas 40 dias é perseguido em velocidade pelo cavaleiro, sendo laçado e derrubado ao chão. O resultado de ser atirado violentamente ao chão pode causar a ruptura da medula espinhal, ocasionando morte instantânea, ou a ruptura de diversos órgãos internos, levando o animal a uma morte lenta e dolorosa.
·       Laço em dupla/'team roping': dois cowboys saem em disparada, sendo que um deve laçar a cabeça do animal e o outro as pernas traseiras. Em seguida os peões esticam o boi entre si, resultando em ligamentos e tendões distendidos, além de músculos machucados.
·       Bulldog: dois cavaleiros, em velocidade, ladeiam o animal que é derrubado por um deles, segurando pelos chifres e torcendo seu pescoço.

Algumas das ferramentas usadas em rodeio

·       Agulhadas elétricas, pedaço de madeira afiado, ungüentos cáusticos.
·       Sedem ou sedenho: artefato de couro ou crina, amarrado ao redor do corpo do animal (sobre o pênis ou saco escrotal), que é puxado com força no momento em que o bicho sai à arena. Além do estímulo doloroso, pode também provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas, hemorragias subcutâneas, viscerais e internas. Dependendo do tipo de manobra e do tempo em que o animal fique exposto a tais fatores pode-se evoluir até a morte.
·       Objetos pontiagudos: pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são colocados nos sedenhos ou sob a sela do animal.
·       Peiteira e sino: consiste em uma corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo, logo atrás da axila. O sino pendurado na peiteira estressa o animal pelo barulho que produz à medida em que ele pula.
·       Esporas: às vezes pontiagudas, são aplicadas pelo peão tanto na região do baixo-ventre do animal como em seu pescoço, provocando lesões e perfuração do globo ocular.
·       Choques elétricos e mecânicos: aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena.
·       Golpes e marretadas: na cabeça do animal, seguido de choque elétrico, costumam produzir convulsões e são o método mais usado quando o animal já está velho ou cansado.

5-Touradas

A tourada é uma prática antiga. Há afrescos de touradas no Palácio de Cnossos, em Crte, na Grécia, que datam de, possivelmente, entre 2700 a.C. e 1450 a.C. Sobrevive nos países Ibéricos (Espanha e Portugal) e em alguns lugares da França e do México até hoje. 

Consiste em torturar touros e cavalos (que são usados para investir contra os touros), ao perfurá-los com instrumentos que parecem arpões, chamados aguilhões, para que os animais sangrem até a morte. É extremamente violenta e por isso, a maioria das sociedades que ainda praticam touradas são contra a atividade. 

Na arena, onde a angústia e o medo são crescentes, junta-se o sofrimento físico por ser conduzidos com aguilhões e à paulada. Entre outros métodos de preparação para o confronto entre o toureiro e o animal, serram-se os chifres dos bois a sangue frio. 

Depois da tourada, cada animal regressa aos curros, horrivelmente ferido, com um sofrimento agonizante, onde, uma vez mais a sangue frio, sua carne e os tecidos musculares são cortados para arrancar os ferros com os seus arpões, cravados durante a tourada. Todos os procedimentos realizados sem nenhum tipo de anestesia.
Só em Portugal, estima-se que cerca de 5 mil touros e 300 cavalos sofram com estas práticas anualmente. Existe naquele país um movimento chamado “Cidades Anti-Touradas”.

6-
Gritos da multidão.
Que papel ia representar? Que se pedia ao seu ódio?
Hesitante, um tipo magro, doirado,entrou no redondel. Olhou-o a frio. Que força traria no rosto mirrado, nas mãos amarelas para se atrever assim a transpor a barreira?(...)
Mas o homem que visou, que atacou de frente, cheio de lealdade, inesperadamente transfigurou-se na confusão de uma nuvem vermelha...(...)
Avançou...Deu, como sempre na miragem enganadora. Iludido, outra vez. Parou. Não acabaria aquele martírio?(...)
Quando chegaria ao fim semelhante tormento?(...)
Quê! Pois poderia morrer ali, no próprio sítio de sua humilhação??! Os homens tinham dessas generosidades?!(...)
Calmamente, num domínio perfeito de si, Miura fitou a lâmina por inteira. Depois, numa arremetida que parecia ainda de luta e era de submissão, entregou o pescoço vencido ao alívio daquele gume.
(excerto do conto “Miura”- A tourada vista pelo touro)


És, pois,dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia.Isso não é comigo,porque nenhuma árvore explica seus frutos, embora goste que lhos comam. 
( Miguel Torga -Bichos )


  PROPOSTA:
Não é raro nos depararmos com situação evidentes de maus-tratos a animais domésticos ou outros. Lojas que abrigam animais em gaiolas minúsculas, sem qualquer condição de higiene, cães presos em correntes curtas o dia todo, proprietários que batem covardemente em seus animais ou os alimentam de forma precária, levando o animal à inanição, cavalos usados na tração de carroças que são açoitados e em visível estado de subnutrição... Estes são  alguns exemplos típicos. Porém,

... os rodeios beiram a barbárie. Crueldade sem limite.

Leia a coletânea acima, e redija um texto dissertativo em norma culta.


                                                                        Gizelda

terça-feira, 2 de agosto de 2011

De olho no ENEM... Trote, uma prática medieval.

A porta dos fundos do ensino “superior”


Primeiro contato de muitos jovens com a faculdade começa com trotes violentos e humilhantes. O que esperar depois? 

Todos os anos, nesta época, a triste cena se repete em dezenas de universidades. Calouros chamados de bichos são agredidos e obrigados a cumprir ordens de veteranos alterados e histéricos. Por vezes alguns desses novos universitários enfrentam situações ainda mais graves sofrendo traumas psicológicos, ferimentos e nos casos extremos, até mesmo a morte.
O mais comum é vermos jovens cobertos de tinta pedindo dinheiro nos cruzamentos para a compra de bebidas alcoólicas. As pessoas, com algumas poucas exceções, observam esse espetáculo, mais parecido com um circo de horrores, com complacência e mesmo simpatia. Claro, diriam muitos deles, são jovens comemorando um momento especial de suas vidas. Será mesmo?


Então, vejam abaixo algumas das manchetes de imprensa selecionadas aleatoriamente nas duas últimas semanas:
- Trotes com álcool levam calouros a posto médico;
- Faculdade é criticada por trote violento;
- Trote teve direito a desfile de “bixetes” sobre passarela de calouros;
- Universidade investiga trote com fezes de animal e urina;
- Três calouros são internados em coma alcoólico após trote.
(Tomei o cuidado de não citar os estabelecimentos e as cidades, pois fiz apenas um apanhado sem qualquer pretensão estatística, só ilustrativa).
Bem, diante desses fatos fartamente divulgados pelos veículos de comunicação, proponho uma reflexão:
O que esperar do futuro desses jovens? Qual a responsabilidade desses estabelecimentos ditos de ensino superior?


Os administradores dessas faculdades e universidades costumam fazer vistas grossas aos trotes. A alegação mais comum é de que não é possível controlar a ação dos estudantes que ocorrem em pontos diversos, muitas vezes fora do estabelecimento de ensino.
Lavar as mãos não parece ser a atitude correta de dirigentes universitários responsáveis pela formação das futuras lideranças do país. É preciso romper esse círculo vicioso e gratuito, e criar junto com seus estudantes, familiares e funcionários, alternativas mais amigáveis e construtivas.
Esses mesmos gestores, que nada fazem diante de casos de trotes violentos, deveriam refletir se estão realmente contribuindo para a formação de homens e mulheres aptos a construir um mundo melhor para se viver. Algo tão marcante para um jovem, que é o ingresso numa faculdade, não deveria ocorrer de uma maneira mais positiva e gratificante a ser lembrado pelo resto de suas vidas?
Ao permitir atos de barbárie logo na porta de entrada, dirigentes omissos, nada estarão contribuindo para a disseminação de valores como ética, respeito, solidariedade e compromisso com o futuro. Pelo contrário, estarão prestando seu apoio, mesmo que involuntário, a um mundo em que prevalece a prepotência, a selvageria e a truculência. Esse calouro maltratado, fatalmente tenderá, a reproduzir os mesmos atos nos anos seguintes.
A faculdade tem a obrigação de criar um ambiente propício ao desenvolvimento de seus estudantes.  É um tempo e espaço preciosos na vida dos jovens que deve ser bem aproveitado para a troca de experiências e enriquecimento pessoal.


Enxergar a importância da universidade
Mas se as faculdades possuem responsabilidades inerentes à formação e educação de seus alunos, estes por sua vez também devem assumir um compromisso junto à sociedade que representam.
Segundo dados do MEC, o Brasil possui 5 milhões de estudantes universitários, sendo que a esmagadora maioria, ou 90% cursam faculdades particulares.  No universo  populacional de quase 200 milhões de habitantes essa classe  com representação menor que 3% pode ser considerada a elite da elite ou como diriam os franceses .
Um jovem que tem a oportunidade de cursar uma universidade precisa ter em mente a responsabilidade de integrar um seleto grupo de privilegiados. Uma elite que deveria pensar e trabalhar pela construção de um Brasil melhor para o seu povo.
O desafio vai além de enxergar a faculdade como um mero caminho para se alcançar o mercado de trabalho. É preciso ser um profissional preparado a desempenhar habilidades técnicas, mas também repleto de valores fundamentais para o exercício de uma vida saudável em sociedade. Princípios éticos, solidários, livres de preconceito e com um olhar apurado para o respeito aos direitos das pessoas. Enfim, jovens com sólida formação humana e intelectual capazes de reverter em benefício de toda a sociedade, a confiança neles depositada.


Trotes solidários para o início de um processo de mudança
Uma maneira de romper com esse ciclo de inércia é exatamente colocar nossos jovens na linha de frente do voluntariado. Nesse sentido, as universidades deveriam criar condições e incentivar estudantes, por meio de palestras, eventos e programas específicos que envolvam atividades de cunho social e ambiental. Conhecer e colaborar com as diversas realidades que compõem o nosso país.  Valores como cidadania, solidariedade e tolerância poderiam ser cultivados, inclusive, logo na entrada desses estudantes na universidade. Essas ações poderiam muito bem substituir os trotes medíocres e sem sentido.
É preciso mudar essa rota e desde já trilhar o caminho da construção de uma nova visão.  Uma visão de sustentabilidade onde todos atuam e todos ganham, sejam eles estudantes, trabalhadores ou empresários.  A Sociedade brasileira, com certeza, irá agradecer e recompensar essa nova elite mais comprometida com o futuro do país.

CARTA CAPITAL
Reinaldo Canto 24 de fevereiro de 2011

As primeiras universidades surgiram na Europa em plena Idade Média. Foram um sopro de liberdade. Permitiram progressivamente ao homem atuar segundo a razão, em vez de apenas obedecer a dogmas. Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que nasciam os centros de estudo, surgia uma instituição muito mais tributária da ideia que hoje fazemos da "Idade das Trevas": o trote. Os primeiros registros da prática datam do início do século XIV. Calouros da região correspondente à moderna Alemanha eram obrigados a andar nus e ingerir fezes de animais mediante a promessa de que poderiam se vingar nos novatos do ano seguinte. "Os alunos veteranos descontavam nos mais novos a repressão promovida em sala de aula por professores rigorosos", afirma Antônio Zuin, professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor do livro O Trote na Universidade: Passagens de um Rito de Iniciação.
Neste ano, por exemplo, uma tropa de veteranos da Universidade de Brasília (UnB) exibiu sua porção medieval ao obrigar calouras a simular sexo oral com uma linguiça envolta numa camisinha e embebida em leite condensado. Americanos e franceses, entre outros, também tem motivos para lamentar. Lá, como aqui, o trote persiste, preocupa e escapa do controle.

Thiago Queirós/
www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=84781


Proposta

Instituições tentam implementar programas de "boas-vindas aos calouros", mas ainda falham em coibir agressões e humilhações. Antonio Ribeiro de Almeida Júnior, professor de sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) e autor do livro Universidade, Preconceito e Trote diz:A proibição por si só não funciona. É preciso punir aqueles que desrespeitam a norma. O problema é que normalmente as universidades se restringem a abrir inquéritos, mas ninguém é punido".                                                 

Trote, uma prática medieval que desafia as universidades.

Redija um texto dissertativo sobre o tema proposto, utilizando a norma culta. Dê título a seu texto.


Atualização :


22/03/2013 - 12h52 / Atualizada 25/03/2013 - 13h31

 

UFRGS irá investigar trote com cabeça de porco e vísceras de peixe

Do UOL, em Porto Alegre

Na última sexta-feira (15), calouros da faculdade de engenharia civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) participaram de trote envolvendo uma cabeça de porco, vísceras de peixe e ovos podres. Imagens do trote foram parar na internet e geraram repercussão negativa.
(...)

Sem violência física

A nota emitida pela universidade afirma que a recepção aos calouros, apesar de constrangedora, não utilizou violência física. "Os comportamentos inapropriados até o momento detectado no caso em questão, que envolvem o desnecessário uso de carcaças e vísceras de animais, apesar de sanitariamente inadequados e ambientalmente incorretos, não se comparam ao ocorrido em outras universidades, sendo muito mais um fruto da imaturidade do que de ações de posturas politicamente incorretas."


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“Trote racista na UFMG incita discriminação e preconceito”

 20 de março de 2013 às 1:02
                          
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apura se houve excessos por parte de estudantes em um trote promovido dentro Faculdade de Direito na última semana. Imagens do evento foram divulgadas nesta segunda-feira e já causaram polêmica nas redes sociais. Internautas ficaram revoltados com algumas fotos que mostram atos racistas durante a ação. Uma reunião extraordinária foi convocada para esta terça-feira pelo Centro Acadêmico Afonso Pena. 

Em uma das fotos, uma jovem aparece acorrentada e pintada com tinta preta. Em seu pescoço foi pendurada uma placa com o nome de "Chica da Silva", fazendo alusão a escrava que viveu em Diamantina, na Região Central de Minas Gerais, e que ganhou a alforria depois de se envolver amorosamente com um contador famoso no século 18. Uma segunda fotografia, mostra um calouro amarrado a uma pilastra e outros estudantes fazendo saudações nazistas. Entre os veteranos, um jovem ainda utiliza bigode semelhante ao do ditador Adolf Hitler (1889 -1945). 


Em nota, reitoria repudia ato contra calouros.